Os solventes orgânicos são compostos de larga utilização na indústria para as reações de dissolução de várias substâncias, e também como reagente ou produto intermédio nos processos de síntese química.

A principal via de entrada destes compostos no organismo é a via respiratória; contudo, em alguns casos, a via cutânea pode também revelar-se importante.

Os efeitos de uma exposição a solventes orgânicos caracterizam-se, fundamentalmente, por uma ação depressora do sistema nervoso central, ação irritante da pele e mucosas, lesão hepática e renal.

A sintomatologia da intoxicação aguda é reconhecida, desde o século passado, e estão descritos os seus efeitos anestésicos – sonolência e entorpecimento, vertigens e tonturas, perda do poder de concentração e mesmo inconsciência.

A exposição a concentrações inferiores ao limiar da intoxicação aguda pode dar origem a alterações do comportamento e psicomotoras com manifestações de fadiga, cefaléias, perda de memória e de atenção, e por vezes irritação das vias respiratórias superiores. Estas manifestações são reversíveis se a exposição cessar.

Em 1984, a Organização Mundial de Saúde (OMS), com base em dados disponíveis, considera a possibilidade de uma exposição crônica a solventes orgânicos ter efeitos neurotóxicos e divide as alterações neuropsiquiátricas em três grupos de gravidade crescente.
Recentemente, a exposição a solventes tem sido considerada como um contributo para o desenvolvimento de surdez.
Os resultados de alguns estudos desenvolvidos nos últimos anos, principalmente na Finlândia, apontam para que a exposição crônica a solventes orgânicos tenha também efeitos nocivos na fertilidade feminina e masculina.

O estudo da incidência de cancro e da mortalidade por essa causa no grupo de expostos a solventes orgânicos tem também sido objeto de alguns trabalhos; os seus resultados apontam para um risco acrescido de cancro do sistema hematopoiético e do útero.

Anúncios